22.9.12

Zé Pedro Cobra - Intervenção no Encontro Presente no Futuro - FFMS


Cada vez estou mais convencido.

Muitos portugueses reclamaram no passado Sábado com toda a legitimidade, contra a autoridade, contra o poder político, contra o governo e sobretudo "explodiram" com a questão da TSU, mas cada vez desconfio mais  que comunicação social está a incentivar em excesso a contestação e, mais que isso, está a tentar atirar mais achas para a fogueira. A razão deste comportamento não será tanto pelas medida da TSU, do Orçamento e da austeridade que nos está a ser imposta, mas está sobretudo relacionada com a questão da cedência da RTP a um privado, porque isso é que os incomoda e preocupa verdadeiramente.

Se assim for, é mais sério que abordem directamente esta questão, do que estarem a ter este comportamento e a colocar em causa, de forma interceira, toda a estabelidade do País.
 
Nota: Também não concordo com esta solução para a RTP.   

21.9.12

Odivelas: Revisão orçamental corta verbas simbólicas e depois querem fazer cursos de alfabetização com 50 euros

A Presidente da Câmara de Odivelas julga poder fazer cursos de alfabetização - imagine-se - com apenas 50 euros. Isso mesmo, entre outros cortes ridículos nas funções sociais, decorre da revisão orçamental aprovada na passada quarta-feira, pela maioria PS/PSD que governa o Município.
O vereador independente Paulo Aido reagiu contra as medidas anunciadas.

Permita-me que eu comece por fazer aqui uma pequena observação, ter sido o director municipal a fazer a defesa ou a explicação desta revisão orçamental, faz-me lembrar a convocatória do Ministro Vítor Gaspar para o Conselho de Estado. Li num editorial que isto era uma desautorização do Primeiro-Ministro, porque o Presidente convocou aquele que sabe e isso foi o que aqui acabou de suceder, falou quem sabe”, disse Paulo Aido a propósito da segunda revisão do orçamento da Câmara.
O autarca explicou: “Voto contra esta revisão orçamental, porque se é verdade que de facto há dificuldades orçamentais também é verdade que, nalguns casos, há cortes em verbas que já eram simbólicas e assim tornam absolutamente impossível realizar qualquer tipo de projecto. Sendo que estes cortes vêm desmentir aquilo que costuma ser a expressão de solidariedade social e de inclusão no concelho, que a Senhora Presidente gosta tanto de propagandear”.
O Vereador Independente mencionou alguns exemplos: “Nos ‘Cabazes de Natal’ reduz-se 64%, ou seja falamos de um abatimento de 4.800 euros, para o ‘Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres’ abate-se 75%, na dotação existente, que, imagine-se, era uma verba de 50 euros”.
Depois – prosseguiu - nos ‘Cursos de Português para Todos e Alfabetização’, que foram anunciados como sendo algo de muito importante, constaram-se 50% e assim ficamos com ridículos 50 euros para promover estes estudos. Mas temos coisas mais graves. Abatimento de 43% na dotação destinada à ‘Reabilitação de Fogos Municipais’. A redução das ‘Construções Habitacionais Precárias’, vulgo barracas, ascende aos 65%”.
Paulo Aido referiu ainda: “Mas há outros dados que também são inquietantes, como o ‘Plano de Desratização e Desinfestação no Concelho na zona de Odivelas Sul’ que sofreu uma redução de 63%, o que me permite interrogar, os ratos desapareceram? Na limpeza urbana corta-se 34% e a ‘Feira da Saúde’, que foi anunciada com pompa e circunstância, desaparece porque ficou sem qualquer dotação. Também o Plano de Pormenor dos Pombais-Sul desapareceu. O abatimento foi de 100%”.
O autarca deixou a pergunta: “Que concelho é que nós estamos a querer construir?”



Odivelas: Estudo do LNEC sobre amianto contraria decisão da maioria PS/PSD

Na última reunião do Executivo camarário, Hernâni carvalho voltou a referir-se aos perigos das coberturas em fibrocimento por causa do amianto. Desta vez, e porque a vereadora socialista Fernanda Franchi contestou o relatório da Autoridade de Saúde Pública, o vereador Independente e jornalista apresentou um documento do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que é esclarecedor dos perigos efectivos do amianto para a saúde pública, tanto mais que refere a directiva comunitária a este propósito. O trabalho do LNEC demonstra os erros clarividentes no discurso da vereadora socialista que tem o pelouro da educação.

A propósito de um relatório da Autoridade de Saúde Pública do concelho de Odivelas relativamente às condições de segurança, higiene e saúde no Jardim de Infância Álvaro de Campos, Hernâni Carvalho recordou que a sua moção, chumbada na última reunião do Executivo, apontava particular preocupação sobre a existência de chapas de fibrocimento utilizadas na cobertura do edifício (amianto). E lembrou os argumentos da vereadora Fernanda Franchi – “a comunidade científica não era unânime quanto ao perigo do amianto e parecer dos técnicos da CMO davam-lhe garantias”.
O vereador Hernâni Carvalho entregou à Câmara Municipal de Odivelas e à biblioteca D. Dinis ”uma comunicação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, LNEC, cuja idoneidade e capacidade técnica ultrapassa as fronteiras de Portugal há décadas, onde se explica o estado da arte sobre o amianto, o que também é corroborado por uma directiva comunitária”.
E concluiu dizendo: “Esta Câmara Municipal chumbou uma proposta, apenas porque fui eu a apresentá-la. Chumbou-a com os 5 votos contra dos Senhores Vereadores eleitos pelo PS e pelo PSD. Fica aqui provado que os senhores tomaram uma má decisão para as crianças e trabalhadores daquele estabelecimento de ensino. Serão os únicos responsáveis por qualquer situação de saúde causada pela coabitação com materiais cancerígenos como o amianto, que venha a acontecer. Mesmo quando a propaganda da Sra. Presidente me acusa de apostar em manobras ardilosas e num discurso corrosivo, fica claro, quem se preocupa em debater ideias e apresentar soluções”.

Odivelas: PS apresenta promessas que negou há um ano


Extraordinário que a Sra. Presidente venha agora prometer baixa dos impostos com no IMI, Imposto Municipal sobre Imóveis, estender a isenção da Derrama a mais empresas e suspender a aplicação de juros sobre o pagamento fraccionado de taxas, precisamente um ano depois de eu aqui ter feito essas mesmas propostas que, então foram chumbadas”, referiu Paulo Aido, a propósito do anúncio do ‘Programa Municipal Anti Austeridade, Odivelas Apoia Mais’.
Afinal – interrogou – se é possível baixar estes impostos em tempo de crise, porque não se fez anteriormente?”
O autarca aconselhou: “A Sra. presidente deve ter a capacidade em aceitar as propostas deste vereador independente porque, certamente, já podíamos ter beneficiado munícipes e empresas há um ano”.

Rui Almeida Mendes - A Memória.


Fez na passada quarta-feira 21 anos que Rui Almeida Mendes, de forma inesperada e ainda novo, partiu. Muitos ainda se recordam (alguns com muita saudade) e outros, mais jovens, por venturam nunca ouviram falar no seu nome, mas importa lembrar que foi um dos principais, se não mesmo o principal responsável pela primeira A.D. (Aliança Democrática), foi ele, com a sua habilidade negocial, que conseguiu juntar pela primeira vez CDS e PSD, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, mas também foi ele que relançou com grande êxito as negociações para a entrada de Portugal na então C.E.E. (Comunidade Económica Europeia).

Não só porque esta semana se assinalou os 21 anos da sua partida, mas porque esta semana foi do ponto de vista político aquilo que todos sabemos, faz especial sentido lembrar este Homem.


20.9.12

O sentido das palavras

Em face das recentes reacções de Passos Coelho relativa à de posição de Paulo Portas sobre a TSU, o qual considerou que foi, e passo a citar, “uma facada nas costas” e que o mesmo (Passos Coelho) pensou em demitir-se, só não o fez, porque estava em causa a estabilidade do País.
Devo referir que, estas palavras chegaram à comunicação social por parte de pessoas muito próximas de Passos Coelho.
Em minha opinião, esta divulgação foi “encomendada” pelo mesmo ou pelos seus assessores, para que passasse a ideia que o mesmo está muito preocupado com o povo português.
Procurando o verdadeiro sentido de tais palavras e, em minha opinião, não passa de uma manobra infeliz, mal pensava. Se me permitem, quase a roçar o “síndrome de calimero”, na medida em que, pretende passar a mensagem que foi traído pelo Presidente do partido de coligação, com o discurso do coitadinho, do dedicado, daquele que está a tomar medidas difíceis para bem do país e que não lhe reconhecem o esforço, a dedicação em prol do país.
A existir um forte ataque, “uma facada nas costas” foi dada por aqueles que lhe são próximos, com os quais desabafou a sua intenção de se demitir, e que era suposto não se saber.
Se tal fosse verdade, por certo que já havia cabeças a rolar. Esses sim tinham provocado um grande fosso num dos mais nobres valores, a lealdade, que tal proximidade o exigia.
Quando há lealdade, os desabafos feitos junto daqueles que nos são próximos, nascem e morrem no mesmo momento, não se divulgam.

Helder Pereira Salvado

Totalmente de acordo.

Há muito que não vejo a ASAE ter o protagonismo de outros tempos, nos quias, por diversas vezes, era tema de abertura dos noticiários nacionais, mas a ser verdade o que aqui é dito ...



Conselho de Estado: Só mais uma questão.


Conselho de Estado: Só uma questão.


 
Como todos sabem Cavaco Silva, Presidente da República, convocou, salvo-erro para sexta-feira, o Conselho de Estado, mas se todos, ou melhor, quase todos já lhe transmitiram publicamente a opinião, o que será que vão lá fazer?

19.9.12

Obras a mais e a menos, erros e omissões.

E eu que pensava que era só em Odivelas, afinal parece que em Lisboa também assim. Para ser sincero todos estes erros chocam-me bastante, mas o que me choca mais é a indiferença perante a constatação.


Odivelas: Hernâni Carvalho em Reunião de Câmara:

"Disse a Sr.ª Presidente que Hugo Martins, aliás como qualquer outra pessoa, até ser condenado é inocente, mas se isso é verdade no que se refere às questões jurídicas, a grande verdade é que a Sr.ª Presidente, ao retirar-lhe dois pelouros, condenou-o politicamente.

Compreendo que esta decisão é para agradar a todos, mas não podemos estar sempre a agradar a Gregos e a Troianos."

TSU – O meu contributo (3)


A cruzar: - Objectivos/Números/Impostos


A medida recentemente anunciada referente à TSU, segundo o Governo, tem como objectivo aumentar a competividade das empresas, o crescimento económico e consequentemente criar novos postos de trabalho.

Como já referi num outro post, não acredito que neste momento, esta medida feita avulso, transferindo a redução da TSU das empresas para os funcionários, o que vai fazer diminuir o consumo e por isso a receita das empresas, potencie algum desses efeitos. Contudo, concordo que:

1º) Há que fazer algo para garantir a sustentabilidade da segurança social;

2 º) O Estado tem, para além de reduzir a despesa, que encontrar verbas para tapar o buracão das contas públicas;

3º) Tem que promover a competitividade, o crescimento económico e consequente aumento do número de postos de trabalho;

4º) Tem que promover uma maior justiça e equilíbrio na nossa economia;

5º) Tem que ser menos penalizador para as empresas que em algum momento poderão passar uma faze menos boa;

5º) Tem que tornar mais atractivo o investimento em Portugal.

Nesse sentido, dando seguimento à proposta que apresentei,  entendo que poderá fazer sentido uma redução da taxa da TSU e em contrapartida, em vez de se transferir a totalidade ou a grande parte desta verba para os funcionários, criar uma taxa extra em função do nível industrial e tecnológico de cada sector ou empresa e ainda, enquadrada nestes objetivos, considerar também alguma alteração ao nível de IRC.

O que importa verificar e estudar, é se com estes cruzamentos se abre a possibilidade de atingir alguns ou a totalidade dos objetivos acima traçados.

Atenção: não é preciso colocar, de uma só vez, toda a carne no assador.

O gráfico da desgraça.

Evolução da Dívida % do PIB - Portugal

18.9.12

TSU – O meu contributo (2)


 Exemplo que vem de fora - post de Artur Rêgo.
Artur Rêgo, com que partilhei esta reflexão no passado Sábado e que me informou que uma medida deste género já tinha sido aplicada na Áustria, também a este respeito colocou o seguinte texto no seu mural do facebook:


A SUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL.

PUBLICO UM CONTRIBUTO DA ASSOCIAÇÃO " NOVOS  PARADIGMAS ", CUJA LEITURA ATENTA RECOMENDO. SÃO PISTAS E IDEIAS VÁLIDAS, SENDO QUE PELO MENOS UMA JÁ É APLICADA EM PAÍSES COMO A ÁUSTRIA, COM TOTAL SUCESSO.
Financiar a segurança social baseado unicamente na massa salarial é insustentável, independentemente de serem os empresários ou os trabalhadores a pagarem ...
a maior parte, assim é de facto fundamental a alteração da TSU, mas com o objetivo de iniciar o processo de a ligar à criação de riqueza. Concretizando, se uma empresa cria riqueza apenas com robots e computadores, esta terá de pagar na mesma, uma percentagem da sua criação de riqueza para a segurança social.
As mudanças radicais das formas de produção, em particular com a introdução das novas tecnologias nos processos produtivos, tiveram como consequência direta a produção de mais riqueza com menos trabalhadores, tendência que irá seguramente aumentar à medida que se forem concretizando mais “choques tecnológicos”. Os atuais processos de criação de riqueza, aliados à globalização do comércio, vieram introduzir uma profunda mudança na qualidade e quantidade do emprego disponível, que obrigam naturalmente a uma nova resposta no campo social, nomeadamente no seu financiamento.
As razões quer económicas quer sociais, justificam que o financiamento da segurança social, não poderá continuar a ser assegurado, exclusivamente pelas contribuições tendo por base os salários. Assim, impõe-se uma maior participação através da tributação geral da economia.

O Brasil, país que não para de crescer, está a implementar um programa de crescimento e sustentabilidade, a que chama O Plano Brasil Maior, em que uma das grandes medidas, é a substituição do pagamento fixo sobre os salários para a segurança social, por uma taxa sobre a faturação das empresas. Disseram alguns comentadores distraídos, (dos poucos que conheciam a medida), que ela se aplicava a poucos setores, estas afirmações não correspondem à realidade, a medida será para aplicar a todas as atividades.
No entanto como medida cautelar, ela começou por ser aplicada a 15 setores em Agosto deste ano, e precisamente no mesmo dia em que o 1º Ministro em entrevista anunciava o seu “grande” modelo, o Ministro da Fazenda do Brasil Guido Mantega, anunciava o alargamento da medida a mais 25 setores da economia, logo passarão a ser 40.
O Brasil não transferiu para os trabalhadores qualquer encargo suplementar, e como devemos saber os trabalhadores brasileiros há vários anos, descontam para a segurança social 8% até ao vencimento de dois salários mínimos, 9% de 2 a 4 salários e 11% para os que auferem mais de 4 salários mínimos.
Esta medida demonstra que existe outro caminho e ainda, teria para Portugal a vantagem de por fim aos tão indesejáveis recibos verdes.

A nossa proposta tem como objetivos principais os seguintes:
1º-Dar maior competitividade às empresas sediadas em Portugal, ao reduzir um dos seus custos fixos, aumentando simultaneamente o preço dos produtos importados, o que não acontece na anunciada intenção do governo;
2º-Aumentar o poder de compra dos cidadãos ao reduzir de 1 e 2% as contribuições dos trabalhadores até vencimentos de 3 salários mínimos, como forma de impulsionar toda a economia nacional. Tendo ainda em atenção que mantendo o atual sistema de financiamento com base na massa salarial, não será possível no futuro, aceder a pensões que permitam viver com a mesma dignidade. semelhante ao da existente na vida ativa.
A nossa proposta por agora e na mesma lógica (progressiva) do BRASIL é a seguinte:
RECORRENDO AOS DADOS DA IES – (informação empresarial simplificada) estatística global de 2010).
Constatamos que o volume total de negócios foi de 386.438 milhões de euros e os custos de pessoal foram 49.762 milhões de euros, (dos quais 10% não estão sujeitos a TSU, a saber subsidio de refeição, seguro e ajudas de custo).
Temos então custos com pessoal e TSU de €44.786 milhões de euros. o que nos conduz ao pagamento de 8.596 milhões de euros de TSU
Este montante equivale a 2,224% da faturação e corresponde aos 23,75% da TSU, pelo que 1% de faturação equivale a 10,68% da TSU.
A nossa proposta para aplicação imediata consiste em que a comparticipação empresarial para a segurança social passaria a ser de 15,07% de TSU mais 1,0% da faturação, como “taxa social tecnológica”. Os restantes 2% seriam a compensação para a baixa das contribuições dos trabalhadores com menores salários. Vantagens desta opção:
1- Á semelhança da TSU esta contribuição de solidariedade é um custo da empresa que não tem impacto direto no consumidor.
2- As empresas passarão a pagar uma parte substancial da segurança social de acordo com a sua faturação, logo quem menos vende menos paga, podendo assim manter os seus trabalhadores em particular nesta época de redução do consumo interno.
3- O aumento do número de trabalhadores numa empresa, apenas terá significado nos custos referentes aos 15,07% de TSU, atendendo a que o 1,0% sobre a faturação é igual quer tenham 10 ou 100 trabalhadores.
4- As empresas exportadoras, grandes beneficiárias da redução da TSU e que não pagam IVA da sua faturação de acordo com as normas comunitárias, passariam a contribuir com (1,0%) da sua faturação.
5- O aumento de criação de riqueza (PIB), não tem no atual sistema uma consequência direta no financiamento da segurança, nem na criação de emprego. o sistema proposto mesmo sem criação de emprego, tem repercussão direta no aumento das receitas da segurança social, permitindo ainda travar ou minimizar o aumento do desemprego.
6- Contribuirá fortemente para a criação de novas pequenas e médias empresas, atendendo á forte redução do custo fixo que representa a atual taxa da TSU.
7- Aumentará o consumo interno, atendendo a que os trabalhadores de salários baixos, veriam o seu salário líquido aumentar 2% e os seguintes 1%.

O governo diz que ninguém apresenta outras soluções, nós estamos a responder ao repto com esta solução, que é real e está na linha de atuação de um grande País, ao qual o governo anda quase diariamente a pedir esmolas, e para onde fogem centenas dos nossos jovens licenciados.
Não podemos deixar de referir que até hoje, nenhum país aumentou as contribuições para a segurança social, sem um dos dois objetivos seguintes, ou foi para aumentar os benefícios ou para os manter.
Acontece que este governo ficará na história, como o governo que pretendeu aumentar a contribuição social dos trabalhadores em 64%, após lhe ter tirado vários dos seus benefícios e preparar-se para continuar a fazê-lo.
Por outro lado, temos todos os analistas e o próprio governo, a afirmar, que especialmente nas últimas duas décadas, governos, empresas e cidadãos todos gastaram mais do que deviam e podiam, encontrando-se assim todos altamente endividados.
Acontece que a divida dos cidadãos, deve-se particularmente ao financiamento para a compra de habitação, que a par de outros tipos de crédito foram quanto a nós incentivados de uma forma irresponsável, sem escrúpulos e sem qualquer controle.
Esta atuação da banca, teve a cobertura dos governos e autarquias, para assim aumentarem a coleta de impostos (IMI e IMT) e taxas e licenças de construção e de habitação.
Igualmente a globalização ligada aos grandes interesses económicos, elevaram o consumismo a um ato de cidadania e integração, mas que tem tido cada vez mais nas sociedades contemporâneas um efeito agonizante.
A conivência do sector bancário com o poder político e de uma sociedade inebriada pelo aparente crescimento económico, agiu de forma imoral e sem a responsabilidade social que lhe era devida, incentivando as famílias á “ruína técnica/financeira” ao aprovar taxas de esforço de 80% no crédito a habitação, e a vender bens (automóveis, eletrodomésticos, férias e etc.) ao balcão, enviar sem solicitação dos mesmos, cartões de crédito para casa, anunciar créditos” pré-aprovados” de forma indiferenciada e sem analise séria de risco.
Seguindo um modelo de liberalismo, que foi há décadas renegado por muitos economistas, para os quais a atividade financeira usada sem uma efetiva regulação, pode manifestar-se letal a médio e longo prazo para a própria economia (como estamos a verificar). Tal situação veio conduzir à atual situação em que os “impostos/encargos” aumentaram mais que os “proveitos” e assim deixaram de poder serem liquidados.
Esta atuação não teve qualquer objetivo de desenvolvimento económico sustentável, mas tão só o lucro dos acionistas e para garantir os ganhos “obscenos” das administrações, (Os gestores destruíram ainda o capital das empresas, ações compradas a €4,90 valem €1,17 no caso a EDP), sacrificando e empurrando as classes médias que sustentam toda a economia de um País, para um sobre endividamento que está a ser fatal para todos nós.
Assim chegamos ao atual estado, é para nós claro que as responsabilidades pertencem claramente ao sistema financeiro, às grandes empresas dominantes do mercado e ao estado, quer na sua componente de gastador, quer na de regulador.
Estamos portanto todos na situação de endividados, mas inexplicavelmente apesar do reconhecimento de que o endividamento é de todos, a receita aplicada pelo governo penaliza apenas os seus cidadãos.
Todavia apesar de toda esta descriminação, o que os últimos dados demonstram, é que desde a entrada deste governo, apenas os cidadãos reduziram a sua dívida e aumentaram as suas poupanças, logo quem não está a cumprir a sua parte são as grandes empresas e o governo, o qual para reduzir alguma despesa, se limitou a espoliar os rendimentos dos seus cidadãos.
O governo, que através do voto tem uma delegação para nos defender, mais não tem feito que nos conduzir à miséria. Os cidadãos são por estes considerados os culpados, de tal forma, que se acham no direito de os punirem, aumentando-lhe a despesa através dos impostos indiretos (IVA, IMI, ISP), e confiscando os rendimentos, quer na redução de salários e pensões, quer no aumento do IRS, jamais imaginámos que alguém que escolhemos para nos defender, nos elegesse como os inimigos a abater.
O que se esperava e se espera da classe política, é que á semelhança de países vizinhos, cortasse 30 ou 40% dos seus salários (dos atuais e dos passados), redução drástica do número de elementos nas administrações incluindo as autarquias, bem como a interdição imediata de utilização de viaturas públicas em todos os departamentos e cargos políticos, com exceção de membros do governo, presidentes de câmara, diretores gerais ou equiparados.
Poderá parecer uma mesquinhez mas não é como vamos demonstrar, se considerarmos o imposto sobre capitais (depósitos a prazo) o estado arrecada 25% do mesmo, vejamos então se um conjunto de portugueses depositar a prazo de 1 ano 100 milhões de euros, remunerando o banco com juro de 4%, receberemos 4 milhões de euros, dos quais o estado arrecada 1 milhão.
O Estado tem quanto a nós 10.000 viaturas a mais (de um total de 27.400) se estimarmos que cada uma dessas viaturas dos dirigentes custa €35.000x10.000 teremos 350 milhões, logo pela conta acima, implica que os portugueses terão de poupar e depositar 35.000 milhões de euros (cerca de metade do empréstimo da TROIKA), para o Estado arrecadar a verba necessária. Mesmo que consideremos a vida útil de cada carro sem outros encargos de 5 anos, teremos ainda assim de poupar 7.000 milhões de euros por ano, para satisfazer essa mordomia.
A mesma medida de cortes, terá de ser extensiva a todas as gorduras do Estado por mais pequenas que sejam, atendendo a que elas representarão para os cidadãos uma poupança 100 vezes maior, e no caso das empresas, aumentar as vendas em 26 vezes o valor da despesa do Estado
O Estado interveio injetando capital resultante dos fundos públicos, ou seja, do dinheiro dos contribuintes, em algumas dessas instituições financeiras, ao invés, o mesmo Estado, abandona á sua sorte as famílias endividadas ao não providenciar um regime excecional mais favorável, que permitisse o cumprimento integral das dívidas junto das instituições financeiras e assim mostrar pelo menos igual respeito pela “instituição família”, não o fazendo o Estado privilegia os bancos em detrimento das famílias.
Temos de tirar lições do sucedido, pois o sector económico e a estabilidade das famílias são em si dois pilares fundamentais da sociedade tal como a conhecemos hoje. Como tal, a ruína de uma acarretará forçosamente a ruína da outra e por conseguinte a ruína da sociedade em que vivemos.

TSU – O meu contributo (1)


A Ideia:
O mundo, a economia e a sociedade mundial tem sofrido desde há cerca de 150 anos a esta parte uma transformação gigantesca. Começou com a revolução industrial e mais recentemente e talvez com maior impacto, ou pelo menos sentimo-lo mais porque o estamos a viver o momento, com a revolução tecnológica.

Veja-se que ao longo de todo este tempo o trabalho humano foi sendo substituído pela máquina, a qual actualmente teve uma enorme evolução com a introdução da tecnologia e com a sua ligação à comunicação.

O resultado disto é que ao longo dos anos foram-se eliminando postos e postos de trabalho, os quais nunca mais serão substituídos por outras actividades e que está a provocar enormes ondas de desemprego por todo o mundo ocidental, o que só não é mais visível porque a população destes países tem vindo a diminuir e a envelhecer (de notar que a média de filhos por mulher na união europeia é de 1,5 e que o necessário para ter uma taxa positiva é 2,1).

Para evidenciar o raciocínio, vou colocar aqui só três questões:

1 – Com actual pagamento por sistema electrónico das auto-estradas (vulgarmente conhecido por Via Verde) e com a introdução de máquinas (tipo vending) junto às tradicionais portagens, deixou de fazer sentido a existência de portageiros (mais tarde ou mais cedo irá acontecer). Nesse sentido pergunto, onde irá trabalhar toda essa gente, haverá alguma actividade que irá absorver todos esses postos de trabalho?

2 – Há uns anos uma das profissões que mais postos de trabalho ocupava era a de secretária. Com a introdução dos computadores e de novas formas de comunicação, primeiro fax e depois email, toda esta profissão/função foi quase liquidada, pelo que questiono: será que foi criada outra profissão que substitua esta?

3 – Caixas Multibanco, quantos postos de trabalho aniquilaram? Lembro-me que há uns anos os bancos tinham a necessidade de ter, não só mais balcões, como também mais funcionários por cada balcão.

Lancei esta reflexão porque, entre outras questões, considero que esta evolução está a contribuir para os enormes problemas que estão a ser colocados a todo o estado social e a toda a sociedade e porque vem a propósito da questão que levantou toda agitação que estamos a viver relacionada com a TSU. Acresce a isto que tenho por princípio que devemos contestar com o que não concordamos, mas temos igualmente que tentar colaborar no sentido de encontrar soluções.

Foi neste sentido, pese o facto de não ter apresentado formalmente, mas sim a quem entendi que poderia equacionar esta solução, que propus que se estudasse a viabilidade e como é que poderia ser feito para as máquinas, sobretudo as que substituem postos de trabalho, passem a contribuir para a Segurança Social.

Acresce que em conversa com o meu amigo e Deputado Artur Rêgo fiquei a saber algo que desconhecia, que na Áustria já faz se algo deste género, pelo que a ideia que poderia de certa forma ser considerada disparatada, afinal pode merecer, no mínimo, o benefício da dúvida e por conseguinte ser estudada.

A partir deste momento (nos próximos dias) vou reflectir mais pormenorizadamente sobre esta questão e lançar mais elementos, no blogue “Um Rumo”, para reflexão e como é óbvio, se alguém entender dar contributos, … todos serão bem recebidos.



Nota 1 : Esta ideia nasceu de uma conversa tida com os meus amigos José Luís Costa e António Barata.

... do "arco-da-velha".

Segundo a OCDE, a despesa privada com ensino superior, cresceu em Portugal, entre 2000 e 2009, 21,5%. De referir que neste período, os Socialistas, que tanto defendem a gratuitidade do Ensino, foi quem esteve a maior parte do tempo no governo.


Inevitabilidade da memória.

Por contigências do percurso pedestre que muitas vezes tenho que fazer, passo com frequência junto a um edifício que à porta tem as duas placas identificativa que estão na imagem.  À memória vem sempre uma governação desastrosa e a incompreensão por ainda não terem havido consequências para quem tanto dinheiro gastou, de forma perfeitamente disparatada e irresponsável.


Tenho pena, mas não dá.

Um dos titulos da primeira página do DN, da edição de hoje, Passos Coelho prepara "raspanete" a Portas, podia, por vário motivos, contribuir para que eu desse uma valente gargalhada, mas infelizmente, porque a situação do País é a que todos conhecemos, não dá.

"Tira-se o hífen"

Vítor Bento - Uma opinião importante.


17.9.12

Imagem do fim-de-semana.

Há muito que sou um defensor de manifestações e muitas foram aquelas em que já participei.

Ontem assistiu-se a uma das maiores manifestações de sempre em Portugal, algo entendo como importante e que tem que ter uma leitura política. Este movimento foi sem dúvida importante para que sejam repensadas algumas medidas.

A Democracia é isto mesmo e estes movimentos também são uma forma de intervenção, a qual é indispensável, pois em minha opinião ninguém se pode demitir de participar, menos ainda numa altura destas.

Esta é a imagem que escolho da manifestação do passado Sábado, a qual correu o mundo.



Condenados


O governo está moribundo. A coligação está condenada.
Paulo Portas mostrou inteligência e, apesar do seu discurso a repor a verdade dos factos pouco lisonjeiros para o primeiro-ministro Passos Coelho, é crível que os sociais-democratas não resistam à tentação de atirar a toalha ao chão. É de uma enorme inabilidade o anúncio de reuniões de emergência da Comissão Política Nacional e da Comissão Permanente do PSD, apenas para analisar as declarações do Presidente do CDS.
Nem as tentativas estereotipadas de Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário semanal na TVI, terão o condão de influenciar positivamente os intervenientes da coligação governamental, principalmente o autismo de Pedro Passos Coelho que se revela incapaz de negociar o que quer que seja e com qualquer um dos parceiros nacionais ou internacionais.
Também dificilmente o Conselho de Estado chegará a uma unanimidade, aí sobretudo face à dimensão da contestação das novas medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro-Ministro e corroboradas pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que é transversal, às confederações patronais e aos sindicatos, sem excepção.
José Maria Pignatelli

CDS e PSD, um ponto importante.


Embora não fosse o meu desejo, ficou claro nas últimas eleições legislativas os Portugueses quiseram que o PSD ganhasse as eleições e que Passos Coelho fosse Primeiro-Ministro, igualmente claro foi que não quiseram dar ao PSD e a Passos Coelho um cheque em branco.

Evidente que pela razão dos votos, num e noutro partido, a proporcionalidade deve ser respeitada e entendida (não pode ser doutra forma), mas entendo que com esta votação, para além da identificação com muitas das propostas apresentadas pelo CDS que gostariam de ver implantadas, de reconhecerem mérito e competência em muitos elementos do partido, os Portugueses quiseram também que o CDS fosse o “fiel da balança”.
Tanto um, como o outro partido têm que entender isso e conviver, por muito que às vezes possa custar a um ou a outro, dentro dessa realidade.

14.9.12

Dá que pensar!

Uma vez ouvi que uma certa pessoa, enquanto jovem, costumava dizer a brincar - "se fosse para Papa, ia para Padre" e realmente situações destas, caso sejam veridicas, é capaz de pôr muitos a pensar: se assim é, vou para Franciscano.