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8.3.11

Homens da Luta 2

É pena não sabermos a autoria de quem escreve determinados comentários. Maus hábitos ou a necessidade das pessoas continuarem a esconder-se com medos vários ou por razões desconhecidas. Vemos isso todos os dias na televisão nas imagens que chegam dos países do Norte de África ou do Médio Oriente - quase todos de "cara tapada". O signatário do comentário anónimo ao meu ‘post’ sobre os Homens da Luta, afirma já ter vivido em outros países... muito bem, também passei por vários e fez-me bem sobretudo culturalmente independentemente dos conhecimentos adquiridos.
Mas esclareço que a nossa fama só se torna positiva concluídos muitos anos de trabalho e mesmo assim continuamos sempre a ser pouco importantes. Recordo-me das reuniões europeias de apresentação dos Planos de Marketing no Grupo Fiat, onde os portugueses, num quadro mais difícil no capítulo dos impostos sobre o sector automóvel, faziam parte do grupo com menos minutos para apresentar o seu trabalho. Era uma luta desigual e sempre uma maratona a fazer em 40 a 50 minutos!
Quanto aos Homens da Luta, é bom continuarmos a ser autistas. A música é de facto uma sátira, mas a mensagem é verdadeira.
Segundo Nuno Duarte, um dos líderes do projecto, devemos fazer luta com alegria, contestar de forma pacífica, exteriorizar os Zecas Afonsos e Marcelos Rebelos de Sousa que temos dentro de nós. Recomendo-lhe que veja a entrevista dada à SIC, os trabalhos dos irmãos Duarte na SIC Radical e as suas aparições públicas junto dos candidatos em campanhas eleitorais recentes.
No dia 12 sempre veremos se é tudo a brincar, se os milhares anunciados para uma manifestação lá estarão só para fazer humor!
É lamentável continuarmos a fazer de conta, enfiar a cabeça na areia, num momento de enorme aflição para centenas de milhar de portugueses... E vir falar de sátiras e humores numa altura de dificuldades sociais e económicas generalizadas num país que se encontra na cauda da Europa.
Começo a acreditar que estamos cheios de autocratas muito mais do que democratas. Aliás continuamos a viver num Estado sem Direito, logo com uma distorcida noção de Justiça.
José Maria Pignatelli

6.3.11

Uma escultura feita automóvel



Alfa 4C surpreende milhares no Salão de Genebra
Com o sucesso do Alfa Romeo 8C - limitado a 1000 exemplares, 500 em fechado e outros tantos descapotáveis – a marca italiana começou a apostar na sua revitalização enquanto marca de prestígio com um cunho marcadamente desportivo e acima de tudo por um design de grande personalidade que a distingue há décadas.
O fantástico 8C atirou para o mercado os descendentes Mito e mais recentemente a reedição do Giulietta.
Mas faltava algo mais semelhante ao lindíssimo 8C, sem tantas limitações de produção e mais acessível aos consumidores.
E aí está – o Salão Automóvel de Genebra mostra o Alfa Romeo 4C passado do conceito à realidade para ser lançado no próximo ano a um preço entre os 42 e 45 mil euros antes de impostos.
Além de surpreendentemente belo, este coupé de dois lugares mistura os ideários de um desportivo de excelência com as necessidades economicistas. A Alfa Romeo junta alta tecnologia na construção do chassis e carroçaria com a utilização de alumínio reforçado a carbono para conseguir elevada resistência, segurança e, em simultâneo peso reduzido que não ultrapasse os 850 quilos e assim conseguir de um motor de 1,8 litros (1750 cm3) performances de um concorrente de 3,0 litros.
Este motor de 1,8 litros já estreado nos modelos 159, Giulietta e Lancia Delta terá no 4C, os mesmos 240 cavalos, mas vai conseguir atingir os 100 km/hora entre os 3 e os 5 segundos e ultrapassar os 250 km/h como velocidade máxima, mantendo consumos também mais baixos que a concorrência do segmento.
O Alfa 4C terá o motor colocado de forma central e tracção atrás, tal qual os melhores desportivos da marca.
Mas em Genebra este Alfa Romeo foi também visto como uma resposta do Grupo Fiat às iniciativas do grupo Volkswagen em adquirir a marca italiana. Aliás o patrão da marca alemã, Ferdinand Piech não desiste da aquisição da empresa italiana, afirmando recentemente que “connosco a Alfa venderia o dobro”. Talvez o que ainda falta o alemão perceber é que um Alfa Romeo é um automóvel realmente diferente, mesmo que os possamos considerar espartanos no seu interior, não permitindo por exemplo globalizar as mesmas peças, tabliers e equipamentos em vários modelos e até em marcas diferentes.
De qualquer modo, o presidente executivo do Grupo Fiat, Sérgio Marchionne, adiantou que enquanto estiver à frente dos destinos do grupo a Alfa Romeo não estará à venda. Em todo o caso é bom recordar que o italiano Da Silva, responsável pelo inicio desta revitalização da marca italiana no final dos Anos 90, sobretudo no capitulo do design é, desde há uns anos, um dos directores de projectos do grupo alemão. Da Silva foi o autor do modelo 156 e do 147, tendo deixado esboços para uma nova berlina que substitui-se o famoso 164 e a base dos actuais Brera e Spider.
O futuro Alfa Romeo 4C reúne todos os ingredientes para ser um veículo de sucesso que passa naturalmente por um esforço de produção relativamente económica em relação à tecnologia que se pretende adoptar e a uma produção anual que não deverá ultrapassar as 1200 unidades – 45 mil euros mais impostos significará um preço médio da ordem dos 53 mil euros na maioria dos países da união europeia, enquanto em Portugal poderá rondar entre os 74 a 80 mil.
Mas para o Grupo Fiat o lançamento deste desportivo poderá marcar o início de outros já mostrados e de que falaremos mais tarde como:
- O Lancia Stratos, porventura o mais semelhante ao do passado, ainda que agora assente num chassis Ferrari (igual ao do Alfa 8C) encurtado e com o mesmo motor de 8 cilindros em V a debitar mais de 540 cavalos;
- O Lancia Fulvia, também muito semelhante ao que fez história nos Mundiais de Ralis antes dos Delta e que deveria ter uma mecânica muito semelhante ao do agora apresentado Alfa 4C, no topo da gama.

José Maria Pignatelli

Homens da Luta

O PREC está de volta? Dificilmente a história se repete. Mas neste fim-de-semana recordámos esses tempos. No Festival da Canção da RTP, a votação do público deu a volta ao veredicto do júri nacional – colocou a vencer uma balada de intervenção, “A Luta é Alegria”, interpretada pelos “Homens da Luta” que nos atira para finais da década de 70’.
Melhor ainda é que esta banda liderada por Nuno Duarte, um humorista que se notabilizou na SIC Radical, anunciou que vai dar música à manifestação da “Geração à Rasca”. Junta-se portanto às hostes do Partido Comunista que já anunciou se fará representar pelo seu Secretário-geral.
Claro que já todos começam a perceber que a manifestação do próximo sábado assume relevância porque já garantiram presença mais de 50 mil, fora os anónimos que não se colocaram na internet e que lá estarão certamente independentemente das suas convicções.
Na cidade alemã de Dusseldorfe vai ser mais difícil compreender esta nostalgia ou talvez não.
Os europeus mais ricos vão acabar por perceber a real dimensão da nossa crise interna que, segundo INE, se encontra demonstrada no facto de mais de 3 milhões de famílias - cerca de 70% dos portugueses - viverem com menos de 1200 euros mensais.
Não admira que a malta desatasse a votar nos Homens da Luta, mesmo que a luta seja uma alegria.
É tempo de reflectirmos!
Vamos assustar a Europa? Os europeus vão entender que se encontram perante um Portugal eternamente atrasado desestruturado e que aplicou mal os fundos comunitários? Depende tudo da importância que se der e de quantos milhões vão ver e perceber a nossa língua.
De qualquer modo, os irmãos Nuno e Vasco Duarte, o líideres da banda, explicam que "é preciso virmos para a rua e com alegria e de forma pacifica exprimir o que nos vai na alma, as coisas que estão mal o que é preciso mudar, que existem pobres e desprotegidos que temos direitos inquestionáveis e que não podemos estar reféns apenas das questões económicas, do controlo do déficit, da oscilação dos juros, da especulação dos mercados financeiros".
Para o humorista Nuno Duarte, "todos nós temos dentro um pouco de Zeca Afonso e de Marcelo Rebelo de Sousa e é isso que está na altura de mostrar, obviamente de forma pacifica porque num país onde se brinca com o povo só podemos levar a coisas na brincadeira..."
O que fica por saber é se este acontecimento poderá ter consequências mais sérias, ser ele mesmo o transbordar de um grito de indignação de várias gerações mais instruídas e esclarecidas que se fizeram a pulso sem favores e que talvez por isso encontram menores oportunidades... E se este despertar será ou não aproveitado por milhares de desprotegidos, desempregados e alguns mais idosos que já não têm esperança num amparo até ao fim da vida. Também ficamos na expectativa de ver quantos políticos e de que quadrantes se vão colar à iniciativa do próximo dia 12.

José Maria Pignatelli

Todos à rasca

Já aqui escrevi a respeito dos novos pobres serem uma espécie de filão da classe média que os países mais desenvolvidos abriram brechas dentro das suas próprias estruturas sociais, económicas e culturais. Abriram as portas aos cidadãos de outros povos com culturas mais conservadoras e até elitistas com fortes convicções religiosas, mas acima de tudo muito influenciáveis, deram-lhes instrução, empregos e permitiram-lhes mesmo entrada directa nas elites científicas e profissionais.
Proporcionaram também o enriquecimento dos poderes instituídos em alguns países após as descolonizações, na Ásia, Ásia menor, em África e na América Latina, principalmente aqueles que possuem matérias-primas indispensáveis à vida moderna, como o ouro, petróleo, gás natural, platina, café, açúcar, cereais…Esse novo capitalismo entrou com milhões nos principais mercados financeiros e foi aproveitado (mais uma vez pelos próprios agentes dos mercados) para várias especulações.Somadas estas práticas às desigualdades que se acentuaram com a globalização sobretudo no sector industrial que valorizou imenso a mão-de-obra barata e sem grandes custos sociais, o resultado era previsível: Os países periféricos em vias de desenvolvimento correm riscos de asfixia, mesmo os produtores de combustíveis e produtos energéticos que tinham por obrigação de saber investir os biliões de dólares que as suas economias ganham em melhorias estruturais que proporcionassem bem-estar às populações.
Obviamente que esta realidade encerra dois cenários:
Por um lado, a necessidade das democracias ocidentais manterem relações diplomáticas e consequentemente comerciais com os regimes autocratas e assim terá de ser porque eles representam porventura mais de metade do nosso mundo e também da produção de combustíveis fósseis como o petróleo e o gás natural;
Por outro, fazer perceber aos líderes autocratas que urge distribuir a riqueza e cumprir com as mais elementares regras dos direitos individuais e colectivos das pessoas.
Particularmente esta última evidência evitaria vários constrangimentos globais que acabam por prejudicar meio mundo sobretudo no capítulo sócio económico afinal de contas muito aberto à especulação financeira.
Os poderes autocratas caiem na rua, às mãos de centenas de milhar, sem que se perceba a sua origem: primeiro, foi Ben Ali que reinou durante 23 anos na Tunísia; depois, no Egipto, caiu Hosni Mubarak ao fim de 18 dias de protestos.
Agora assiste-se à agonia na Líbia com os protestos contra o presidente Muammar Kadhafi que insiste no confronto com os manifestantes, colocando o país à beira de uma guerra civil e de uma catástrofe humanitária.
A comunidade internacional receia pelo contágio e deixa transparecer que não controla as movimentações. A preocupação tem efectivamente razão de ser: os países autocratas com influência muçulmana estendem-se do médio Oriente à Ásia Menor. Falamos do maior grupo de produtores de combustíveis.
Também se pergunta que pessoas e interesses se encontram na base destas convulsões. Impõe-se a capacidade de nos distanciarmos da forma romanceada que atribui estes movimentos populares às redes sociais cibernautas como o facebook. Demasiado simplista.
A internet é um veículo de comunicação por excelência, mas não chega a todos e nem consegue mobilizar milhões, tão-só porque dificilmente passaria um ideário político.
Os interessados podem ser vários independentemente dos riscos que os acontecimentos acarretam. Subsiste a dúvida sobre as alternativas aos poderes que caiem. De qualquer modo, estranha-se que sejam países como a China actualmente os mais dependentes das importações de combustíveis para manter os elevados índices de crescimento. Daí, talvez o irónico gesto contraditório em os chineses terem votado no Conselho de Segurança das Nações Unidas o protesto contra a violação dos direitos humanos na Líbia. Ora é caso para interrogarmos se de repente se passaram a respeitar os direitos humanos no país do Sol nascente (?).
Os líderes mundiais esquecem-se que as pessoas mais desprotegidas associadas os novos pobres - em grande percentagem oriundos de uma classe média instruída e culta que deixou de ter espaço de influência muito por força do desemprego - podem esgotar-se em soluções que não lhes levam o prato com comer à mesa, não protegem os seus filhos, nem lhes alumiam o fundo do túnel onde se viram enfiados quase sempre por causas alheias (...) e estas pessoas podem engrossam fileiras de contestatários de forma espontânea, mesmo sem precisar de qualquer liderança. Os acontecimentos no Magrebe também são preocupantes para os periféricos do Sul da Europa: Itália recebe centenas de refugiados e compra à Líbia 40% do crude que consome anualmente, enquanto a Albânia onde também já se registaram tumultos, os novos países dos Balcãs, Portugal, Grécia e Turquia podem ser surpreendidos pelas gerações à rasca que querem mostrar o direito à indignação gritando “basta”.
Sem qualquer sugestão prática - a divisão da riqueza ou aumentos dos investimentos em infra-estruturas são uma miragem - não percebo como se lutará de imediato contra a globalização destas crises que levam ao caos a própria actividade sócio económica, provocando grandes flutuações nos preços das matérias-primas nos principais mercados bolsistas.
Pior é que esta realidade tem o condão de prejudicar os países mais pobres sem grandes recursos naturais e alternativas em sectores determinantes como os energéticos e os alimentares. São mesmo nestes países onde os preços sobem em flecha e periodicamente, desajustando a inflação da realidade, também por força de serem economias demasiado abertas.

José Maria Pignatelli

Combustíveis aumentam amanhã

Arábia Saudita produz 1 milhão de barris por dia em excesso
Em Londres, a semana passada fechou com o preço do barril do petróleo a 116 dólares na valoração Brent que é a que serve ao mercado português, enquanto nos Estados Unidos fechou nos 103 dólares.
A manutenção do preço acima dos 115 dólares no mercado britânico faz com que as gasolineiras voltem a aumentar o preço dos combustíveis mais uma vez. Será mais logo a partir da meia-noite de hoje. E o preço do gasóleo será o que maior aumento registará.
Como habitualmente estes aumentos no preço ao consumidor final acontecem ainda antes dos últimos preços do barril se fazerem sentir no crude em stock. Portugal volta a fazer a diferença entre os parceiros europeus que admitem fazer um esforço em evitar grandes aumentos para proteger as suas economias. Aliás, em alguns países comunitários foram os próprios poderes a chamar a si provisoriamente esta questão da fixação dos preços dos combustíveis.
Em contrapartida entre nós estas crises são observadas como uma janela de oportunidade em manter ou mesmo aumentar lucros das empresas distribuidoras. Pena é que não se perceba que a nossa economia se encontra cada vez mais debilitada, tanto mais que ela é demasiado dependente dos combustíveis fósseis, porque o transporte mais importante é o rodoviário. Foi uma opção política de há muitos anos em que se deu preferência à construção de auto estradas do que por exemplo à renovação e modernização do caminho-de-ferro eléctrico, que subsiste de uma energia que se consegue a menores custos.
Portugal só para fazer andar o seu parque automóvel ligeiro e pesado necessita anualmente de mais de 16 milhões de toneladas de crude.
De qualquer forma a OPEP anunciou ter condições para colmatar as interrupções de fornecimento que aconteçam por parte da Líbia, ainda que isso possa não evitar que o preço do barril em Londres ultrapasse os 125 dólares. Este disparar do preço do petróleo é devido ao stress motivado pelos receios do efeito dominó em levantamentos populares nos países árabes produtores.
De referir que a Líbia detém 2,4% da produção mundial que representa aproximadamente 3,7% das exportações do mercado internacional. A Itália com quase 40% das suas compras de crude, a Grécia e Portugal estão entre os países mais dependentes do fornecimento líbio.
De qualquer modo, esta pressão sobre o preço do petróleo poderá diminuir porque se sabe que a Arábia Saudita, actualmente a liderar a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) produz diariamente um excesso de 1 milhão de barris de petróleo que não têm mercado comprador.
José Maria Pignatelli

4.3.11

Goleada magna

O Real Madrid atropelou o Málaga. Os madrilenos marcaram por 7 vezes sem sofrer nenhum golo – precisamente 7 a 0, com três golos de Cristiano Ronaldo, dois de Benzema, um de Marcelo e outro apontado por Di Maria.
Mourinho é implacável e ambicioso.
Há dois dias disparou em todas as direcções: no domínio da empresa que detêm os direitos de transmissão dos jogos da Liga espanhola, sobre os jornalistas que parecem não ver o que se passa e também atirou ao treinador do Málaga (ex-Real Madrid) Manuel Pellegrini por este ter afirmado que tinha sido o melhor treinador do Real Madrid na última década.
Ninguém percebeu que Mourinho tinha acabado de entusiasmar os seus jogadores com a provocação da vitória. O técnico português também acabava de fazer uma engenhosa operação de marketing, colocando o Real Madrid nas primeiras páginas dos jornais e nas televisões de meio mundo.
Em Madrid, como em Milão, Londres ou na cidade do Porto, os jogadores treinados por Mourinho respondem sempre positivamente. Ontem à noite, exageraram e silenciaram Pellegrini com um inquestionável triunfo, uma goleada magna – 7 a 0!
José Maria Pignatelli

27.2.11

Originalidades perigosas

O Sporting é um clube demasiado grande para aceitar tanto amadorismo.
Miguel Xara Brasil fala de pioneirismo. Mas devo alertar que nem sempre ser pioneiro é bom sinal. E em Portugal os exemplos são mais negativos que positivos.
Adoramos construir quintas e quintais. Em Portugal muitos clubes, Associações de bombeiros, particularmente das cidades e vilas mais pequenas, e muitas outras instituições e autarquias são exactamente transformadas em feudos de cidadãos que se tornam mais mediáticos sabe-se lá bem porque razões. Alguns acabam por prestar um bom serviço, outros nem por isso e conseguem manter elevada mediocridade.
No Sporting, nas últimas décadas não tem acontecido nada de bom.
Não sou adepto do Sporting, mas incomodam-me os iluminados que brincam no seio das instituições que reclamam credibilidade e servem milhares de anónimos amantes do associativismo e das actividades desportivas num conceito mais vasto que o futebol.
De facto é a primeira vez que me recordo de ver:
Despedir um treinador na véspera de um jogo importante e a três dias de outra partida ainda mais relevante;
- De sair o treinador e ficar a sua equipa técnica;
- Do novo treinador interino, também director-geral do departamento do Futebol assumir funções a dois dias de um dos jogos mais importantes da temporada, precisamente uma meia-final e logo contra o Benfica.
Mais perplexo fico quando vejo sucederem actos de gestão preocupantes como o de passar os activos para nome da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) e deixar o clube "agarrado" ao passivo. Estas práticas são comuns e só nos devem envergonhar porque passam uma péssima imagem do País e dos seus agentes que forçosamente são reconhecidos por gente menos séria. Senão vejamos para quantos torneios de Inverno de indor futebol (usuais na Europa Continental durante o mês de Janeiro e jogados em pavilhão) foram os clubes portugueses convidados?
O Sporting merecia muito melhor, mas como clube desportivo de primeira linha que é, servirá sempre um grupo de interesseiros mais do que interessados na causa da defesa dos interesses da instituição.
Lamentável!
Desafio Miguel Xara Brasil a juntar-se aos seus amigos do Sporting e a arranjar uma lista credível para concorrer às eleições se é que ainda vão a tempo. É que tanto quanto se ouve em alguns dos bastidores, estes sportinguistas têm programa e ideias perfeitamente definidas e já passado a papel. Além disso, são um grupo de pessoas com fortes convicções, possuidores de uma estratégia a médio prazo e defensores do clube numa perspectiva de instituição de utilidade pública ainda que com a necessidade de uma gestão empresarial ao mais alto nível, tão-só pelo cariz social, entidade empregadora de relevo, prestígio e montantes financeiros gerados.
A actual situação do Sporting não serve à competição futebolística nacional e mesmo internacional. O exemplo do Boavista e do Farense deviam servir para acautelarmos situações futuras arrepiando caminho e exigir responsabilidades aos dirigentes.
José Maria Pignatelli

Voos cruzados nos céus da grande Lisboa

Insólito ou talvez não. Invulgar porventura por força de estar um céu azul muito resplandecente. Ao início da tarde de ontem, num curto espaço de tempo, cruzaram-se no céu da grande Lisboa aproximadamente 20 aviões todos a mais de 22 mil pés de altitude.
Os voos eram invariáveis – para Noroeste, Oeste e Sudoeste. Os rastos deixaram desenhos menos habituais para quem olha o céu nestes momentos mais luminosos. Também não é todos os dias que vemos estas ocorrências sobre a cidade ainda que se saiba que a Fir de Lisboa é a auto-estrada aérea mais importante do Sul do continente europeu. Talvez por isso ou talvez não, assistiu-se a este movimento. Fica o registo!

José Maria Pignatelli

22.2.11

Tribunal Constitucional "recupera" 60 mil votantes

O Tribunal Constitucional anunciou hoje que votaram nas eleições presidenciais 4.492.453 pessoas, mais 60.604 do que no mapa oficial dos resultados, mas praticamente o mesmo número que tinha sido anunciado a 23 de Janeiro.
Os beneficiados com esta recuperação de votos são Defensor Moura, José Manuel Coelho, Cavaco Silva e Francisco Lopes.
De acordo com a agência Lusa, a assembleia de apuramento geral da eleição do Presidente da República, da responsabilidade do Tribunal Constitucional, voltou hoje a reunir, depois de ter sido solicitado aos presidentes das assembleias de apuramento distritais "a confirmação ou rectificação" dos dados inicialmente transmitidos, tendo aprovado a correcção dos números.
Assim, votaram a 23 de Janeiro 4.492.453 eleitores, mais 60.604 do que constava no mapa oficial dos resultados, aprovado pela Comissão Nacional de Eleições apenas com o voto de qualidade do seu presidente, e apenas mais 156 votantes do que o anunciado na noite eleitoral no site www.mj.presidenciais.pt .
Com este anúncio do Tribunal Constitucional, Cavaco Silva soma mais 353 votos do que na noite eleitoral, Manuel Alegre menos 799, Fernando Nobre menos 1047, Francisco Lopes mais 96, José Manuel Coelho mais 827 e Defensor Moura mais 998.
http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1131839.html

Um elogio merecido à Policia Judiciária

A natureza da Polícia Judiciária foi analisada e apresentada por um sociólogo independente que, seguramente, não faz publicidade a pedido. Apenas encontrou as explicações sobre como devem funcionar as organizações, assim como os seus colaboradores, para alcançar o êxito da função que realizam.
Acredito que qualquer funcionário da Polícia Judiciária se revê nesta descrição.
Também de certa forma, este olhar sobre a PJ, particularmente no período conturbado que vivemos, representa mais do que um elogio merecido, um acto cada vez mais raro e de justiça pública, numa comunicação social de modas que tende a passar para os leitores apenas o lado efémero dos acontecimentos.
Valerá a pena as pessoas conhecerem a realidade da Polícia Judiciária na perspectiva de um observador externo atento, num momento em que a desconfiança sobre a investigação e a sua qualidade são sistematicamente colocadas em causa pelo Direito, independentemente de muitos de nós percebermos que esse Estado de Direito quase não existe e encerra dois pesos e duas medidas privilegiando os mais ricos que podem pagar a justiça.
Mas esta observação sobre a nossa polícia de investigação mostra uma realidade que os sucessivos governos tendem a ignorar e mesmo a desprezar em muitas ocasiões. É uma efectiva realidade que certos poderes dominantes incrustados no Estado e na política gostariam de modificar, domesticar ou neutralizar, designadamente, através de um processo de aculturação numa nova super polícia nacional... bem «obediente».

Vale a pena ver e ouvir até ao fim o filme. Houve quem não gostasse pelas mais variadas razões.

http://sic.sapo.pt/online/video/programas/mais-mulher/2011/2/ensinamentos-da-pj-uteis-para-a-sua-carreira16-02-2011-163354.htm
José Maria Pignatelli

20.2.11

Não morreu por um triz

Não morreu por um triz. Um septuagenário esteve quase três dias caído na casa de banho à espera de ajuda. A única companhia foi a do seu cão que passou os três dias deitado junto do dono. Mais uma família monoparental (mais um idoso a viver sozinho) a entrar nas estatísticas do País cada vez mais envelhecido e sem soluções para contrariar a solidão em que se encontram centenas de milhar de portugueses com mais de 65 anos.

Este septuagenário teve a sorte de combater a solidão com rotinas diárias – passava todos os dias por alguns lugares, entre eles uma loja de artigos para animais onde acabou por se tornar amigo do proprietário a ponto de lhe confiar uma cópia da chave de casa.

Foi precisamente a sua ausência por três dias que despertou a atenção do amigo. Perante tantas notícias sobre mortes e acidentes de pessoas idosas que vivem sozinhas, não hesitou: abriu a porta e deparou-se com o amigo estendido no chão da casa de banho. O septuagenário caiu ao sair da banheira, partiu uma perna e embateu forte com a cabeça. Valeu na circunstância o seu cão que nunca mais o largou. Encontram-se ambos a recuperar sobretudo de grande desidratação que evidenciavam.

À falta de soluções, entre elas um serviço de tele-assistência com mensalidades acessíveis e que permita andar com uma pulseira para activar a cahmada de emergência, resta aos mais idosos adquirir rotinas e ter amigos por perto de forma a evitar que acidentes deste género possam ser fatais.

José Maria Pignatelli

18.2.11

Ficam de fora dois nomes de referência de Odivelas

Nas Jornadas de Naturologia vão faltar
o médico e investigador Jorge Ferreira
e o osteopata Pedro Choy


Odivelas vai ter umas primeiras Jornadas de Naturologia onde se vão debater as terapêuticas não convencionais actualmente reconhecidas como fundamentais para a recuperação e manutenção da saúde. Do programa ressalta entre outros assuntos o tema Osteopatia das cervicais, mas não se entende se ao debate serão chamados os meios e a ciência que encerram o diagnóstico.
Estranha-se é que neste capítulo falte um dos maiores clínicos portugueses desta área, intimamente ligado à cidade de Odivelas – Jorge Morgado Ferreira, o médico português que colocou a área da densitometria num standard mundial e que é um dos responsáveis pela Clínica de Radiologia e Imagiologia de Odivelas e também no Instituto Português de Oncologia de Lisboa. Também não se prevê nenhuma intervenção de Pedro Choy, Osteopata e mestre de acupunctura, com consultório também na cidade de Odivelas.
O Dr. Jorge Ferreira, de 45 anos, é o investigador co-autor do único estudo europeu dos primeiros 3 que foram apresentados em Orlando, nos Estados Unidos, em Março de 2009, sobre a densiometria, precisamente um ano depois da OMS - Organização Mundial de Saúde – ter lançado um novo algoritmo de cálculo de risco de fractura. Este facto ansiado há muitos anos por todos os que se dedicam ao estudo e actividade clínica desta especialidade levou o consultório de Odivelas a ser o primeiro a adaptar esta metodologia e a recolher dados.
Em 2009, com uma base de dados mais alargada, a perspectiva critica do Dr. Jorge Ferreira tornou-se mais sólida e proporcionou analisar novas vertentes da densitometria. Esta actividade científica foi (e continua a ser) um ganho colateral de um relacionamento de várias décadas com a população de Odivelas
.
É relativamente fácil acompanharmos muito do progresso médico. As fontes de informação e de formação são acessíveis (desde que se pague) e a actualização é permanente.
Mas é imperioso fazer o trabalho de casa, conhecermos o que existe realmente de excelência na cidade de Odivelas e no concelho. Não basta afirmar em tempo de campanhas eleitorais que se corre em defesa do tecido produtivo que existe em casa para depois o ignorarmos por completo.
Inacreditável é que se trata de um dos mais antigos consultórios de diagnóstico de Odivelas que tem quase tantos anos quantos a urbanização da Quinta do Mendes:
- Falamos de um estudo que até há bem poucos dias continuava afixado na sala de espera daquela unidade;
- Falamos de uma instituição que em 2009 - aquando do dia Internacional da Osteoporose - realizou exames grátis a pacientes frequentemente afastados dos consultórios mas que são a população alvo, os idosos internados em lares, quando a ocorrência de uma fractura osteoporótica do colo do fémur pode significar a perda definitiva da autonomia;
- Falamos de alguém que durante muitos anos mediu massa óssea, diagnosticou osteoporose, esperando que as medidas terapêuticas tenham sido tomadas e que consequentemente se tenham evitado fracturas osteoporóticas da coluna e do fémur com consequentes deformações da coluna, dores e perda da mobilidade;
- Falamos de quem nos últimos dias de 2010 investiu na substituição do aparelho de densitometria pelo modelo mais recente do mercado, utilizado pela NASA em astronautas e pelos atletas de alta competição que militam nos melhores clubes do mundo do futebol, do râguebi (…) e de modalidades de ponta que se incluem nas Olimpíadas;
- Falamos de um dos raros consultórios no País que encontrou apoio oficial do fabricante para constituir um dos centros piloto portugueses de densitometria… que oxalá fique em Odivelas;
- Falamos ainda de quem depois de analisar os ossos pretende começar a analisar a "carne" (percentagens regionais de músculos e gordura) acompanhando essa nova área de investigação.
Qualquer iniciativa é sempre bem vinda, mas mais uma vez os autarcas responsáveis não se podem pôr em bicos dos pés, tão-só porque ignoram os bons que têm dentro de casa que infelizmente só encontram reconhecimento no exterior, entre os melhores do planeta. Na verdade Jorge Ferreira e a sua equipa de Odivelas estão na crista da onda nos métodos auxiliares de diagnóstico.

José Maria Pignatelli

7.2.11

Carlos Carreiras assina Petição

Carlos Carreiras, líder da Distrital de Lisboa do PSD e presidente da Câmara de Cascais, já assinou a Petição para a Abertura ao Público do Mosteiro de Odivelas.
Este líder do Partido Social Democrata, também ele presidente do Instituto Sá Carneiro, é mais uma figura de prestigio a juntar-se a centenas de cidadãos comuns, independentes, militantes e simpatizantes de outros partidos, todos juntos por uma causa: abrir as portas ao público de um monumento nacional e uma das obras raras do gótico, dando a Odivelas a importância que merece na área metropolitana de Lisboa e no País, ajudando a promover as actividades sociais, culturais e económicas do concelho.

Ajude-nos também neste desígnio e se concordar, subscreva a petição.

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=DomDinis

Arriscam-se pessoas e bens em nome da sua defesa

A prepotência de quem manda demonstra-se de várias formas. Muitas vezes com grandes aparatos com maiores ou menores resultados práticos.
Por vezes garantir a segurança de pessoas e bens e a ordem pública merecem iniciativas pouco simpáticas para o comum dos cidadãos sobretudo para os cumpridores das regras instituídas. E em muitos casos arriscam-se as vidas e os bens em nome da Lei.
As autoridades devem ponderar sobre as consequências das operações de fiscalização que organizam.
Não é crível que num País que se intitula civilizado se façam auto stop por via de cortes da circulação em plena auto-estrada e num período nocturno com crescente diminuição da visibilidade por aumento da humidade. Nem sequer vou discutir a base legal que suporta estas iniciativas, antes preocupar-me com a injustiça do condicionamento de um serviço pago pelos utilizadores. Tal qual sucede com as obras e cortes de via.
Por outro lado, continuamos em alta em matéria de sorte – na operação da madrugada de Domingo na A2 não ocorreram quaisquer acidentes na cauda da coluna que se formou nas faixas de rodagem quando o trânsito foi forçado a passar todo por dentro de uma zona de reabastecimento.
Também aqui poderíamos equacionar a relação entre a concessionária do abastecimento de combustíveis e a GNR que permite estas operações de certa forma desproporcionadas e reveladoras da falta de meios e de recursos humanos que as permitam fazer junto dos locais de diversão nocturna ou suas acessibilidades, esses sim os locais apropriados para estes actos de fiscalização... e que não colocam pessoas e bens em risco em nome da sua defesa.
A Administração Interna do País está mal dirigida!

4.2.11

Paulo Portas apoia abertura do Mosteiro

Apoiantes do projecto “Pensar Odivelas” e outros cidadãos mais ou menos intervenientes na sociedade civil estão a promover uma Petição para a Abertura ao Público do Mosteiro de Odivelas. Paulo Portas, presidente do CDS e ex-ministro da Defesa, Ministério do qual depende este monumento, foi um dos primeiros signatários (64º).
Esta ideia de promover a Petição – um caminho mais difícil do que suscitar a qualquer um deputado da Assembleia da República que o fizesse – demonstra a paixão por Odivelas de um grupo de cidadãos de onde se destaca Miguel Xara Brasil do CDS-PP, os jornalistas, escritores e vereadores independentes Paulo Aido e Hernâni Carvalho, Frederico Avillez, Tiago Sousa Dias, Pedro Santa-Rita, Paulo Bernardo e Sousa (o centésimo a subscrever a petição), Vítor Peixoto e muitos outros cidadãos independentes, militantes e simpatizantes de outros partidos, de todo o País que estão juntos por uma causa: abrir as portas de um monumento nacional a público e dar a Odivelas a importância que merece na área metropolitana de Lisboa e fora dela, ajudando a promover as actividades sociais, culturais e económicas do concelho.
Ajude-nos também neste desígnio,
clique aqui e se concordar, subscreva a petição.

Hernâni Carvalho levou amigos ao "As Quintas do Jaime"

Hernâni Carvalho foi o convidado do programa “As Quintas do Jaime” da Odivelas TV. Nesta edição coordenada por Jaime Ferreira de Carvalho, o jornalista e Vereador da Câmara Municipal de Odivelas teve a companhia dos amigos Paulo Aido, também ele jornalista, escritor e Vereador da Câmara de Odivelas, Nuno Patrício um editor de imagem que acompanhou Hernâni Carvalho em teatros de guerra, Sérgio Gonçalves, um bombeiro profissional que foi sempre amigo do convidado desde a sua infância, Vítor Peixoto e o Prof. Quintino Aires. Intervieram no programa por meio de entrevista à distância Carlos Carreiras o actual presidente da Câmara de Cascais e presidente do Instituto Sá Carneiro.
Os momentos musicais estiveram a cargo de Fernando Simões foi o responsável pelos momentos musicais.

Localização no filme – Sergio Gonçalves: 28’20” Nuno Patrício: 46’25” Vitor Peixoto: 1h 14’20” Paulo Aido: 1h 23’55” Prof Quintino Aires: 1h50’10”
Vale a pena ver a sequência de entrevistas - basta ver o link abaixo.

1.2.11

Comprometido

O constitucionalista Jorge Miranda entende que o corte dos salários no sector público não é inconstitucional, porque está em causa o "interesse público"...
As declarações do distinto professor fizeram eco nos mais diversos sectores, deixando admirados alguns outros entendidos na matéria.
Confesso que não me debrucei sobre a temática. Apenas constato que vingou pelo menos uma das providências cautelares. E ainda estranho que seja possível diminuir remunerações contratualizadas, pelo menos do ponto de vista ético. Mais surpreendido fico quando se procura amealhar dinheiros apenas à custa dos trabalhadores, ou seja do lado mais fácil onde não se necessita beliscar interesses instalados e reduzir a despesa pública, eliminando erros da responsabilidade dos gestores do aparelho do Estado e renegociando os seus salários milionários incomportáveis para as empresas e completamente fora da realidade do País.
Mas o professor Jorge Miranda sente-se comprometido com o actual poder, o mesmo que têm apadrinhado a carreira do filho André.
“Não há bela sem senão”, um velho ditado que se ajusta às declarações do constitucionalista porque é difícil separar as coisas... Bem se pode afirmar que o pai não é o filho, e que André Miranda não tenha mérito, mas convínhamos que o lugar de Director da Política de Justiça é de elevada grandeza e exige experiência só possível com alguns anos de exercício da actividade dentro da estrutura da Justiça portuguesa difíceis de obter aos 32 anos e quando se teve outros desempenhos que não enquadrados na Justiça.
Naturalmente que falamos num cargo de nomeação.
Nos links abaixo podem perceber sobre o curriculum de André Miranda:

http://economico.sapo.pt/noticias/chefe-de-gabinete-de-lacao-nomeado-director-na-justica_103650.html

http://oscafeinicos.wordpress.com/2011/01/05/3939/

31.1.11

Acordo Ortográfico é para valer no próximo ano lectivo

O acordo ortográfico é para valer.
O Conselho de Ministros já determinou a sua aplicação com efeitos a curto prazo.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011
Presidência do Conselho de Ministros
Determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011-2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Tomada a resolução e sem que haja grandes manifestações contra, lá se dá mais um pontapé no português. Ficamos a escrever quase como os brasileiros. Também nunca perceberemos a razão de tal acordo ortográfico.
Mas obviamente entende-se a crescente influência do Brasil na comunidade internacional, particularmente nos continentes Norte-americano, africano, australiano e no europeu sobretudo nos países mais influentes. Porventura a necessidade de generalizar a escrita pelo lado dos mais poderosos - disso ninguém poderá duvidar da importância do Brasil na economia planetária e sobretudo na América Latina.
E ainda teremos de observar o meritório esforço dos brasileiros espalharem a sua cultura, no domínio da música, da representação, das artes e das letras. Este paradigma torna-se cada vez mais evidente no seio da comunidade académica e cientifica dos Estados Unidos e do Canadá.
Percebe-se que a nossa escrita encontra dificuldades em se impor nos meios tecnológicos onde a lógica das alternativas “português” e “português do Brasil” faz cada vez menos sentido. Pena é que sejamos os mais frágeis, com menor capacidade negocial.
Oxalá fique a língua, o nosso idioma projectado numa literatura de excelência repleta de escritores notáveis cujos nomes enchem algumas das páginas mais importantes da nossa história.
E não vale de todo termos de ouvir iluminados professores de português como o que tivemos a infelicidade de presenciar num dos canais de televisão justificando a medida e dando como exemplo a forma escrita Egipto que passará a escrever-se Egito porque não se pronuncia o ‘P’.
Ora este douto deu um mau exemplo porque não percorreu certamente muitas das agências de viagem da nossa terra, onde muitos dos seus funcionários pronunciam Egipto tal qual como se escreve, até porque também se habituaram a chamar os seus naturais de egípcios, aliás forma que perdurará mesmo no novo acordo ortográfico.
Mais vale não procurar justificações para um acordo ortográfico inoportuno e desadequado à nossa escrita… E a dá-las, que tenham a coragem de o fazer aludindo à verdadeira razão
!
José Maria Pignatelli

30.1.11

Países periféricos à beira do colapso

Novos pobres são um filão da classe média
Os países mais desenvolvidos abriram brechas dentro das suas próprias estruturas sociais, económicas e culturais. Abriram as portas aos cidadãos de outros povos com culturas mais conservadoras e até elitistas com fortes convicções religiosas, mas acima de tudo muito influenciáveis, deram-lhes instrução, empregos e permitiram-lhes mesmo entrada directa nas elites científicas e profissionais, não se preocupando com a sempre discutível aculturação. Proporcionaram também o enriquecimento dos poderes instituídos em alguns países após as descolonizações, na Ásia menor, em África e na América Latina, principalmente aqueles que possuem matérias-primas indispensáveis à vida moderna, como o ouro, petróleo, gás natural, platina, café, açúcar, cereais, etc.
Esse novo capitalismo entrou com milhões nos principais mercados financeiros e foi aproveitado (mais uma vez pelos próprios agentes dos mercados) para especulações de vária ordem.
Somadas estas práticas às desigualdades que se acentuaram com a globalização sobretudo no sector industrial que valorizou imenso a mão-de-obra barata e sem grandes custos sociais, o resultado era previsível: Os países periféricos em vias de desenvolvimento correm riscos de asfixia, mesmo os produtores de combustíveis e produtos energéticos que tinham por obrigação de saber investir os biliões de dólares que as suas economias ganham em melhorias estruturais que proporcionassem bem-estar às populações.
As razões são simples:
- Territórios com grandes problemas estruturais que empurraram a população e o seu tecido produtivo para o litoral;
- Não conseguem produzir para consumo interno e as suas exportações não geram receitas para pagar as importações;
- Do ponto de vista político não conseguiram impor ou aceitar regimes verdadeiramente democráticos e não conseguiram promover reformas sociais educativas e na justiça;
- Fecham os olhos à economia paralela e à corrupção que lhe está adjacente;
- Não têm mecanismos que permitam controlo da despesa pública e desperdiçam demasiados recursos, mesmo os recursos humanos por falta clarividente de massa crítica nos sectores dirigentes;
- Preocupam-se demasiado em espalhar as suas doutrinas na senda política internacional e de apoiar verdadeiros programas de emigração, fechando os olhos inclusivamente à emigração clandestina como forma de ganharem influência dentro dos países mais desenvolvidos.
Esqueceram-se que as pessoas mais desprotegidas associadas os novos pobres em grande percentagem oriundos de uma classe média instruída e culta que deixou de ter espaço de influência muito por força do desemprego podem esgotar-se em soluções que não lhes levam o prato com comer à mesa, não protegem os seus filhos, nem lhes alumiam o fundo do túnel onde se viram enfiados quase sempre por causas alheias (...) e estas pessoas podem engrossar fileiras de contestatários de forma espontânea, mesmo sem precisar de qualquer liderança. Para já é o que se assiste nos países do Magrebe, Tunísia, Egipto e Argélia sendo que este último mostrou ao mundo ter uma classe dirigente mais esclarecida e preparada para controlar este contágio obviamente incómodo, mas mesmo que justo sempre perigoso para a estabilidade dos países do Mediterrâneo, particularmente para os periféricos do Sul da Europa, como Portugal, a Albânia onde também já se registaram tumultos na semana passada, os novos países dos Balcãs, Grécia e Turquia. Por enquanto Espanha e Itália ficam de fora porque são indiscutivelmente países estruturados com sectores primários e secundários fortes e tecnológicos muito virados à exportação. Países onde a investigação, o conhecimento e a tecnologia servem de base à modernização agrícola e industrial só depois se preocupando com os serviços... Um dos exemplos prende-se com a mobilidade – primeiro definem-se estratégias para as áreas metropolitanas e sistemas de transporte globais e depois produzem-se numa óptica de futuro com prazos alargados. Naturalmente que este tema encaixa outros como o planeamento urbano que encerra o seu crescimento e a própria arquitectura dos edifícios e meio envolvente como os espaços verdes, de lazer, infra-estruturas várias, parque escolar e equipamentos desportivos, estacionamento e acessibilidades aos maiores eixos viários e dos próprios transportes colectivos.
Espanha e Itália encontram-se muito mais integrados numa perspectiva europeia de racionalização de custos operacionais sobretudo no respeita à eficiência energética (cumprem planos energéticos definidos sobre todos os pontos de vista desde o consumo ao armazenamento), separação e reciclagem de lixos domésticos e industriais, protecção, utilização e consequente desgaste dos recursos naturais.
Por outro lado, este surto de indignação parece também surpreender os líderes mais radicais que apareciam invariavelmente por detrás das organizações destas manifestações. Ao que tudo indica entra-se na época da espontaneidade em que uma simples mensagem numa rede social informática se pode espalhar por centenas de milhar em meia dúzia de minutos... a velocidade da informação ultrapassa todas as estratégias das lideranças e apanham-nos completamente desprevenidos. Chega-se facilmente aos limites do caos gerador de actos colectivos ou mais isolados quase sempre irreflectidos que podem motivar danos irreversíveis na história e património de um País e mesmo da humanidade.
2011 promete ser um ano conturbado, mas terá forçosamente de ser tempo de reflexão e de regulação sobretudo dos mercados financeiros e da banca especuladora contra a ganância de alguns investidores e das empresas que encorajam monopólios ou a liberalização do comércio à escala planetária correndo o risco de esbater as diferenças da produção em grande série com a mais selectiva e exclusiva.
2011 terá de ser um ano de cogitação social de luta contra a pobreza e do voluntariado, mas onde haja a capacidade de exigir às classes dirigentes reformas no sentido de garantir os direitos básicos de qualquer ser humano e aos mais ricos a sua comparticipação activa mas ao mesmo tempo fiscalizadora para que depois não paguem os mais empenhados pelos menos cumpridores.
Mas também terá de se lutar já contra a globalização destas crises que levam ao caos a própria actividade sócio económica, provocando grandes flutuações nos preços das matérias-primas nos principais mercados bolsistas. É que esta realidade tem o condão de prejudicar os países mais pobres sem grandes recursos naturais e alternativas em sectores determinantes como os energéticos e os alimentares.

José Maria Pignatelli

28.1.11

Convite aceite

Agradeço o convite. E fico entusiasmado no desafio - será quase como uma prova de resistência, mas acima de tudo por poder conversar com quem consigo construir amizade. Vou aceitar certamente!
Também costumo sair à noite, ultimamente mais para a linha do Estoril. Mas eu não generalizo o caso descrito a Lisboa, apenas às docas e a 4 estabelecimentos que têm um denominador comum e que prefiro não revelar os detalhes. Eu assisti a uma enorme cobardia e nesse propósito falei com representantes da autoridade policial... Sei que estes problemas nos referidos estabelecimentos se repetem frequentemente e se encontram referenciados. Mas o mais inacreditável é como é que a minoria reina nas docas de Alcântara. Mais esclareço que até me ofereceram uma lista dos estabelecimentos daquele local mais seguros e menos problemáticos, obviamente também relativos à frequência. Tal como no Porto falamos de casos restritos e confinados numa determinada área geográfica. Longe destes casos estarem generalizados... Mas uma gota pode tornar-se num copo cheio sempre que estes acontecimentos forem demasiado mediatizados ou presenciados por forasteiros. A imagem de marca destrói-se num momento; construí-la leva anos!
Por muito que goste, a noite de Lisboa ainda não é de todo comparável com Barcelona e ou Berlim que têm outras atracções e comércio nocturno ainda inexistentes em Portugal.
José Maria Pignatelli