14.5.10

Um novo Bento XVI floresceu em Fátima

“Bento XVI floresceu em Fátima… Recordou e aproximou-se da imagem de João Paulo II» - foi uma afirmação do jornalista da BBC que acompanha esta viagem do Papa e que muitos portugueses ouviram também no primeiro canal da RTP.
Nada mais certo. Bento XVI sentiu o que todos os peregrinos pressentem quando entram na esplanada do Santuário de Fátima: a presença de João Paulo II.
Este é um dos enigmas da Cova da Iria que nasceu após a visita daquele Papa. Todos recordamos a imagem de João Paulo II que mereceu uma estátua colocada em destaque e que ontem foi venerada a todo o tempo. Isto mesmo foi sistematicamente mostrado por todos os canais de televisão, mesmo os estrangeiros.
Como escrevi há dois dias, esta visita ocorre num momento delicado da Igreja Católica, mas também num período complicado do quotidiano dos portugueses flagelados por uma crise sem precedentes e que parece ainda só ter começado.
Na Cova da Iria sentiu-se esta consciência, e a movimentação de quase meio milhão de pessoas foi um claro grito à espiritualidade como derradeiro refúgio dos mais desprotegidos ou daqueles que temem entrar na lista, cada vez maior, de cidadãos em risco de pobreza.
Os portugueses são mais instruídos e percebem o risco que correm actualmente os pequenos e médios empresários com a carga fiscal que agora será aumentada, independentemente dos impostos indirectos que inviabilizam as perspectivas de aumento do poder de compra e consequentemente da revitalização da actividade comercial. Quase todos foram a Fátima pedir a intervenção do Papa. Pedir-lhe que reze por todos nós, porventura pela nossa salvação. Esperavam uma expressão que mexesse com os seus íntimos que aliviasse as dores próprias de um calvário de crise económica, social e moral que vivemos há anos.
Bento XVI percebeu isso no Terreiro do Paço e à porta da Nunciatura onde pernoitou. Viu milhares de jovens estenderem-lhe os braços, gritar o seu nome, suplicarem-lhe por ajuda divina. O Santo Padre não gosta de uma Igreja espectáculo. É bastante mais tímido que o seu antecessor. E tem dificuldade na aproximação às multidões. Mas o staff do Papa foi irrepreensível – fê-lo deixar cair alguma timidez, fez com que conseguisse interagir com os fiéis mas muito em particular com os mais jovens e alimentar a esperança.
Bento XVI emocionou quase todos, conseguiu impor o seu discurso deixando novos recados ao poder político e às instituições de apoio social, e encetou uma nova linguagem gestual. Foi humilde quanto baste para recordar João Paulo II e, porventura fez com que sentíssemos a presença Dele. E depois da missa da manhã dispensou tempo aos bispos e aos representantes das instituições de apoio social que são uma espécie de braço armado da Igreja no terreno, que desenvolvem trabalho meritório junto dos mais necessitados. Aliás, neste último encontro Bento XVI realçou a importância de manter presente a doutrina da Igreja qualquer que seja a intervenção que se faça… a necessidade de se ter sempre espírito missionário.
É crível aguardar por um novo momento na missa campal da cidade do Porto, por certo um discurso com um novo formato. A estada em Portugal de Bento XVI está em crescendo e poderá revelar-se como das mais importantes deste pontificado até ao momento.

José Maria Pignatelli

1 comentário:

Miguel X disse...

Meu Caro,
Eu bem te disse...
Isso foi perceptivel:
1 - logo na mensagem que transmitiu na viagem, "os maiores inimigos da Igreja estavam dentro da própria Igreja" ou "ervas daninhas dentro da própria Igreja".
2 - como no Terreiro de Paço, já para não falar do primeiro trajecto feito no papamovel.

Uma coisa é ver na televisão, outra coisa é viver os acontecimentos no local.

Um abraço,