7.8.11

Que Valores?????



A propósito de valores e da crise existente, urge fazermos uma reflexão profunda sobre isso, de forma a identificarmos o caminho certo a seguir e os preconceitos e estereótipos que nós portugueses precisamos urgentemente de abandonar.

Senão vejamos, Portugal está num clima de austeridade? Está sim senhor! E isso significa o quê em termos individuais? Parece-me que existe uma certa confusão entre os Portugueses que ainda não entenderam que não é só o Estado que necessita de emagrecer financeiramente reduzindo substancialmente a sua despesa, são as famílias que terão igualmente de abdicar de um estatuto fictício que lhes permitiu ostentar um nível de vida com uma equiparação acima, pelo menos, duas vezes o valor do seu ordenado efectivo!

E como se coloca na cabeça dos portugueses que TODOS sem excepção vivem acima das suas reais possibilidades? È difícil, por se tratar de um status deveras atractivo para além de fazer bem ao ego é muito mais confortável. Façamos um exercício ligeiro e verdadeiramente perceptível e real: “Falta um botão nas calças! Amanhã vou levá-las á costureira? Quanto será? € 5, não é muito!”, “Olha, amanhã terei que levar o carro para o emprego, apesar de ter passe, porque chove e não me apetece apanhar chuva! São € 15 de parquímetro mais outro tanto para a gasolina? Paciência também é só uma vez!”

Este exercício exemplificativo, poderia estender-se a tantas outras atitudes deste género que para além de permitirem gastar mais dinheiro, tem um revés muito importante, condiciona a poupança, tipo sobraram –me estes trocos até ao fim do mês: “Let’s Party” !!!

O que se passa em termos económicos reflecte-se também em termos de ética e de valores morais, penso até que uma coisa está fortemente ligada á outra! Não se pensa no futuro que vamos deixar aos nossos filhos, não se pensa estruturalmente, mas sim no imediato. Não se pensa em incutir valores aos mais novos, por que para isso teria que se dar exemplos, e isso começa na família complementa-se na escola e se queremos um futuro melhor que o de hoje, se calhar já vamos tarde…

2 comentários:

João Paulo disse...

Concordo que devemos racionalizar os gastos... e que muitos vivem acima das possibilidades, possivelmente eu inclusive, como tantos outros comprei casa, a qual vou pagar nos proximos 39 anos. Se vivesse à medida das minhas possibilidades efectivas continuava em casa alugada nos proximos 30 anos. No entanto atenção que todas generalizações absolutas são falaciosas...

Madalena Varela disse...

Provavelmente se tivesse arrendado casa, estaria 39 anos a pagar a renda sem que ela nunca fosse sua! Apesar de se enquadrar nas suas possibilidades efectivas??? A compra de casa agregando o consequente crédito bancário não entra neste contexo, o que pretendi transmitir não foi isso! Se foi assim que entendeu, para a próxima terei que me expressar de outra forma. Longe de mim pretender generalizar, mas sim chamar a atenção que, a carência também existe no que concerne à postura e integridade.